
Lembro que em meados de 2013, me deparei pela primeira vez com uma reportagem que falava sobre como o facebook era prejudicial, no sentido de que nos deixava mais tristes e depressivos se passássemos muito tempo online. Nessa época ainda estava na graduação e lembro que eu e minha amiga – que morava e estudava comigo – lemos o texto juntas no sofá de casa e depois começamos a discutir sobre o assunto.
A matéria exemplificava muito bem situações que todos nós vivenciamos nas redes: a clássica cena de abrir o facebook numa segunda feira durante a hora de almoço no trabalho e bater de frente com a foto de um amigo que está em férias, praticando seu hobbie preferido. A pessoa com quem você não se dava bem na faculdade ou que achava que não seria nada na vida com o trabalho dos sonhos. O casal perfeito. A família perfeita. As festas e a diversão com os amigos. O dinheiro de sobra que banca viagens paradisíacas e gastronomia cara. A “felicidade” plena.
Um parênteses no nosso raciocínio: é verdade, há pessoas que tem certa necessidade de mostrar o quanto a vida delas é maravilhosa e perfeita. Pretendo falar sobre isso oportunamente, mas neste exemplo, não me apeguei a esses casos, pois todos nós compartilhamos – ora ou outra, mais ou menos frequentemente – algo que que nos traz alegria. E isso é bom!
Voltando ao nosso tema, se as pessoas geralmente compartilham coisas que lhe são prazerosas em suas vidas, consequentemente as redes se tornam um depósito de momentos bons e alegres, que nos despertam a curiosidade e o interesse, e que muitas vezes nos fazem querer vivenciar aquilo também. Pode ser ruim assumir, mas sentimos inveja do sucesso do outro, sentimos raiva por não ter oportunidade de estar naquele lugar, nos sentimos frustrados por não ter aquilo que o outro tem.
Era a isso que a matéria se referia: ao mal-estar provocado em nós ao encarar aquilo que o outro tem de bom e atraente quando temos a impressão de que nossa própria vida não anda tão bem assim. O problema é que nos esquecemos que o que compartilhamos com nossos amigos virtuais são apenas recortes da vida – devidamente escolhidos, filtrados e editados, claro! E aí, temos a impressão de que tudo na existência do outro é bem melhor do que aquilo que temos na nossa, pois o esforço, as horas de estudo e dedicação, as lágrimas que escorrem no travesseiro, as discussões, o fracasso são momentos geralmente excluídos da linha do tempo.
Por isso, por mais que a vida de todas as outras pessoas possa parecer melhor, não podemos nos enganar e acreditar nisso, pois, como seres humanos, vivemos angústias, conflitos e momentos ruins – muitas vezes péssimos e horríveis, né?! E apesar dos recortes lindos publicados, a dor do outro está ali, em algum lugar escondida, do jeitinho que a nossa está.