
Você está numa relação amorosa que tem uma intimidade sexual super prazerosa e, de repente (ou planejadamente), descobre que está grávida! E aí, como é que fica o sexo na gravidez?
Esse tema desperta muitas dúvidas em grande parte dos casais: será que podemos continuar transando? Será que o bebê vai se sentir incomodado? Será que o sexo influencia no tipo de parto? Até quantos meses pode ter relação sexual na gravidez? Pode ter relação nas primeiras semanas? Existem posições que não podem ser feitas?
De acordo com os ginecologistas, na maioria dos casos o sexo tá liberado desde o início da gestação até as últimas semanas, salvo exceções que falaremos daqui a pouco!
A prática sexual é algo fundamental para a saúde integral de qualquer pessoa e, durante a gravidez, os benefícios são ainda maiores: melhora a autoestima, ajuda no controle da ansiedade, colabora com a produção de anticorpos, regula a pressão arterial, libera endorfina (te ajudando a dormir melhor e gerando bem-estar físico), fortalece a imunidade. O sexo também funciona como um exercício que contribui para melhora do condicionamento físico e preparação do corpo para o parto se tiver uma intensidade saudável (entre leve a moderada).
E o melhor de tudo é que por ser um período onde os hormônios correm soltos pelo seu corpo, a sensação de prazer com o orgasmo pode ser ainda maior! Os hormônios estrogênio e progesterona melhoram a lubrificação vaginal e o fluxo sanguíneo nessa região. Sabe qual o efeito disso? Orgasmos muito mais fáceis de acontecer e mais intensos!
Além das vantagens biológicas, os ganhos emocionais também são muitos. Há um imaginário inconsciente e popular de que, a partir do momento que vira gestante e mãe, a mulher deixa de ser erótica. Mas é super possível e saudável que a mulher mantenha esses dois papéis, aderindo a perspectiva da mãe que está em formação junto com o bebê, além de continuar exercendo sua sexualidade e sensualidade como quiser. A continuidade da vida sexual da mulher grávida é importante não só para a relação amorosa (se ela tiver uma), mas principalmente para reforçar para si mesma que ainda continua uma mulher atraente, ativa e que tem direito de continuar tendo seus momentos de prazer mesmo com a maternidade. Então aproveite essa fase em que os hormônios estão à flor da pele e explore ainda mais as sensações corporais que seu corpo, principalmente o tato, redescobrindo lugares e zonas erógenas em você.
Mas apesar de tudo isso, há a possibilidade de que no começo da gravidez seu apetite sexual diminua bastante por causa das alterações hormonais e corporais. As náuseas, cansaço excessivo, sono, dores nas mamas (todos os sintomas clássicos de início de gestação), além de preocupações com a chegada do bebê e a nova fase que irá viver podem tirar seu foco do sexo. E sabemos que quanto menos pensamos nisso, menos queremos fazer, certo? Essa reação depende muito da experiência particular de cada mulher. Algumas relatam aumento da libido, outras querem passar longe do companheiro. E tudo bem, é uma fase! Se você tá com o tesão a flor da pele, aproveite! Senão, não force a barra… espere tranquila, seu corpo vai se regularizar e a boa notícia é que a partir do segundo trimestre, sua libido tende a aumentar novamente.
Sobre posições sexuais que seriam mais indicadas, não há orientação médica específica. Algumas mães e pais tem um pouco de medo de incomodar ou machucar o bebê, mas essa não deve ser uma preocupação. O bebê fica dentro da cavidade uterina, protegido pelo colo do útero e pelo líquido amniótico, portanto, não tem como o pênis chegar até ele a ponto de causar algum dano. Mas durante a relação sexual o ideal é encontrar posições que não apertem ou comprimam a barriga e consequentemente, o bebê. Geralmente, quando a barriga já está maior, as mães tendem a preferir ficar por cima do parceiro ou na posição deitada de lado. Tudo isso depende do quão a mulher se sente à vontade, a questão principal é ter paciência e compreensão para encontrarem as melhores posições juntos. É recomendado evitar o uso de brinquedos sexuais que penetram na vagina e o sexo anal. Isso porque a imunidade da mulher fica mais fragilizada no período de gestação e essas práticas podem aumentar o risco de contaminação se não houver higiene correta, além de poder causar hemorroida.
Outro detalhe que gera dúvidas é sobre a ejaculação masculina dentro do corpo da mulher. O sêmem tem um componente chamado prostaglandina, que tem uma ação parecida com a ocitocina e estimula contrações e o trabalho de parto. No início da gestação, caso o homem ejacule dentro da vagina, a eventual estimulação de contração não é suficiente para provocar o parto. Já no finalzinho da gestação, quando o bebê está prestes a nascer, pode ter uma ação estimulante para o trabalho de parto caso a atividade sexual dure mais de 1 hora. Apesar disso, é prudente continuar o uso de preservativo durante a gravidez para minimizar riscos de infecções sexualmente transmissíveis, já que há casos em que doenças (como sífilis, por exemplo) podem afetar gravemente o bebê.
Mesmo com a liberação médica da prática sexual para a maioria das gestantes, há exceções em casos em que há riscos para a mãe ou para o feto. São esses: ameaça de aborto; infeções mais graves; placenta prévia (quando a placenta fica na parte inferior do útero, cobrindo a entrada para o canal vaginal); casos de sangramentos; hipertensão; risco de parto prematuro. Um outro cuidado na hora do sexo é impedir que o seu parceiro estimule sua mama por meio de sucção (não deixe ele dar aquela mamada no seu peito), pois há o risco de estimular o parto prematuro com essa prática. Outro ponto importante a esclarecer é que apesar de contribuir para a preparação do corpo, o sexo não influencia diretamente no tipo de parto que a mulher terá.
Por fim, após o nascimento do bebê, há o momento de quarentena, né? Depois de 9 meses de dilatação e um dia de trabalho intenso na hora do parto, seu aparelho ginecológico precisa de um tempo quietinho pra se restaurar e voltar à condição anterior. Segundo especialistas, é preciso esperar mais ou menos 40 dias pra que o corpo se recupere do parto e aguente a penetração sem dores ou risco de contaminação. Nesse período, o casal pode optar pelas alternativas do sexo oral e masturbação, que também são bem prazerosas quando ambos conhecem bem o corpo um do outro! Apesar disso, no pós parto, devido aos hormônios, a tendência natural da mulher é voltar toda sua atenção e interesse ao bebê e apresentar certa baixa na sua energia sexual. É uma fase em que o bebê é muito novinho, dependente, a mãe está se adaptando ao seu novo papel e são muitas informações para processar. Por isso, esse tempo é necessário para reorganização psíquica da mãe e conexão com seu filho. Então, aos poucos e respeitando o período de recuperação da mulher, é importante que o companheiro seja compreensivo e também demonstre certo esforço para seduzi-la como antigamente e recuperar a vida a dois do casal. Nessa fase, a prolactina, que produz o leite materno, acaba prejudicando a lubrificação vaginal, sendo indicado o uso de algum lubrificante para melhorar a experiência da mulher quando retornar sua atividade sexual. Esse período dura mais ou menos até a próxima menstruação, quando os hormônios da mulher voltam ao seu ciclo natural de atividades, regularizando a libido ao que era anteriormente.