Há um imaginário popular repleto de mitos e verdades sobre o pós-parto. Esse texto, baseado em entrevista ao o ginecologista e obstetra Alfonso Massaguer, revela as principais curiosidades sobre o seu corpo logo após o nascimento do bebê. 

1 – Fertilidade no pós parto:

É um erro achar que a mulher não tem período fértil no pós-parto. Segundo o doutor Alfonso, é possível ovular entre 30 a 45 dias após o parto, ou seja, é preciso ter cuidado porque até um mês após o parto a mulher pode entrar no período fértil. Portanto, se ela, nesse tempo, já retorna suas atividades sexuais, há chances reais de engravidar nessa fase, quando o corpo ainda está se recuperando da gravidez. Por isso, é necessário estar atenta e voltar a utilizar os métodos anticoncepcionais assim que a vida sexual for retomada. Outro fator que influencia diretamente na fertilidade nesse período é a amamentação exclusiva ou o uso de complementação por fórmula. 

2 – Descida do leite:

Pode demorar entre 2 a 5 dias para que a mama fique cheia de leite materno. Existe essa variação por causa de fatores de níveis de estresse da mulher e estilos de amamentação de cada mãe. E essa descida pode dar uma falsa sensação de febre, por isso, no pós parto, se a mulher sentir o corpo febril, deve medir a temperatura com o termômetro na boca e não na axila, pois a descida do leite dá a sensação de elevação da temperatura do corpo. Importante relembrar que antes do leite propriamente dito descer, a mulher produz o colostro, que é um alimento muito parecido com leite, mas de consistência mais grossa. Mesmo assim, é muito importante dar o peito normalmente para o bebê durante os primeiros dias. Não é necessário nenhum complemento alimentar para a mãe, as recomendações do médico são manter uma alimentação saudável, equilibrada nutricionalmente, além da ingestão de líquidos como água, sucos e chás naturais.

3 – Perda de peso durante o parto:

No momento do parto, a mulher pode perder cerca de 5 a 6kg, já que, a partir desse momento, o bebê, o líquido amniótico e a placenta são expelidos. O restante da perda de peso acontece nos próximos dias seguintes: o inchaço natural vai diminuindo e o útero, aos poucos, vai restituindo seu tamanho original. Sem contar a amamentação que também ajuda no processo de retorno ao peso anterior a gravidez.

4 – Trombose:

No pós parto a mulher fica mais suscetível a desenvolver trombose e, por isso, pode correr risco de morte. É extremamente importante o uso de meias elásticas, além de buscar se movimentar na medida do possível e fazer exercícios de fisioterapia. Mulheres que já tenham uma predisposição (fumantes, por exemplo) podem avaliar o uso de anticoagulante na prevenção da doença. O médico Alfonso afirma que é preciso ter muito cuidado, pois a trombose é a principal causa de morte da mulher no período de pós parto. 

5 – Mito da quarentena:

Existe uma crença no imaginário popular que durante 40 dias após o parto a mulher não pode ter relação sexual ou se exercitar. Isso é um mito! A mulher pode considerar que está pronta para essas atividades a partir do momento em que ela já estiver cicatrizada do parto e se sentir bem e confortável para realizar essas atividades. Normalmente, o período de cicatrização é de aproximadamente 2 semanas após o parto, mas é um número que pode variar de uma mulher para outra. 

6 – Sexualidade:

É natural que após o nascimento do bebê a atenção da mãe fique muito mais focada no recém nascido e no novo papel que estará desempenhando a partir da chegada do bebê. Dessa forma, além da conexão emocional estabelecida, os hormônios liberados no pós parto e na amamentação fazem com que a libido seja diminuída consideravelmente. 

7 – Oscilação de Humor

Depois do nascimento do bebê, a mãe vive uma espécie de montanha russa de emoções: grande parte da mulheres experimenta uma grande felicidade e um amor muito intenso direcionado ao filho, mas ao mesmo tempo acontece também a tristeza pós parto (chamada de baby blues). Esse período se caracteriza pelo choro sem motivo, dúvidas sobre sua capacidade de ser uma boa mãe, tem vergonha por não estar tão feliz quanto deveria. Não se culpe e não ache que a existência desse sentimento te faz uma mãe ruim. 

8 – Tipo sanguíneo da mãe

É recomendado que a mãe realize exames para descobrir o seu tipo sanguíneo e tomar medidas preventivas para eventuais incompatibilidades sanguíneas entre ela e o bebê

9 – Vacinas:

Outro ponto lembrado pelo médico é a importância dos cuidadores e das pessoas que terão contato frequentemente com o bebê em terem sua carteira de vacinação em dia a fim de evitar qualquer contaminação indesejada à criança.

10 – Calafrios:

É muito comum que a mamãe sinta calafrios após o parto. A medicina ainda não sabe ao certo o motivo desse acontecimento, mas é algo natural e temporário. É necessário se aquecer com o cobertor, procurar relaxar e aproveitar os primeiros momentos de vida junto com o bebê e a sensação de calafrio passará. 

11- Contração do útero:

Logo após o nascimento do bebê o útero começa a se contrair para voltar ao tamanho natural. Com o bebe dentro da barriga, o útero chega a pesar cerca de 1kg, e depois da contração ele volta a pesar 60g (peso normal). Essa contração acontece por dias, podendo chegar até 60 dias após o parto para total restituição. A amamentação é fundamental para esse processo, pois durante a mamada é liberada uma substância que gera essa contração uterina e ajuda a eliminar coágulos remanescentes do parto. Nesse período, é normal sentir cólica por essa contração e eliminar coágulos em alguns estágios de sangue que vai desde um primeiro momento com a presença de sangue vivo (contendo restos de placenta), depois com uma cor mais escurecida para posteriormente a secreção ir clareando gradativamente até desaparecer. 

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